O que Achei de: The New Normal (NBC)
Ryan Murphy quer por tudo se consagrar como o rei dos diferentes.
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Ryan Murphy quer por tudo se consagrar como o rei dos diferentes.
Com Glee, titio Ryan fala dos estereótipos adolescentes,
dando aos tipos excluídos dos braços da popularidade a chance de se destacarem
pelos seus talentos. Bom, isso era para o mundo dos quase adultos. E para o
mundo cruel dos adultos?
Para o mundo cruel dos adultos, Ryan foi ao lugar mais
óbvio: casais gays que decidem procriar. Era óbvio que mais cedo ou mais tarde
alguém colocaria o tema como trama principal de uma série. Existe, como no caso
de Modern Family, séries que dão espaço para o assunto dentre seus demais plots, mas The New Normal comete a
proeza de ser a primeira a apostar todas as suas fichas na homossexualidade procriativa.
Não deixa de ser interessante. Sem dúvida alguma, este tema
– mesmo que considerado “normal” por muitos – ainda mexe com a cabeça de muita
gente e causa reações negativas nos preconceituosos de plantão. Para se ter uma
ideia, a filial da NBC de Utah se negou a transmitir a série pelo seu conteúdo imoral.
O problema é a ousada
série conseguir fugir das caricaturas. O casal gay certamente será composto
pelo homem macho e o homem fêmeo, e o preconceituoso-mor, que vai ser o maior
obstáculo, certamente será algum velho da família. The New Normal seguiu à
risca esta receita, dando vida a personagens desgastados e até marcando pontos na
repetição de Modern Family.
O “diferencial” da série é que o fato do casal contratar uma
barriga de aluguel não será um contrato usual, onde cada parte faz sua parte e
no final a mulher sai com o dinheiro e os dois saem com o neném. Goldie (Georgia King), a que alugará a barriga,
traz na bagagem uma mãe (Ellen Barkin)
que faz questão de mostrar sua homofobia e racismo, e uma filha (Bebe Wood) “acidental” que teve aos
quinze anos.
Pelo que o piloto mostra, eles não vão se desgrudar.
Provavelmente, o final da gravidez não irá separá-los, sendo talvez um motivo
para aproximar a nova estranha família ainda mais. Acontece que os motivos de
Goldie para aceitar o trabalho ficaram meio esquisitos. Barriga de aluguel
existe porque a contratada precisa de dinheiro. Mais do que isso não cola.
No começo ela até diz que é por causa dos trinta e cinco mil
dólares que vão cair na sua conta, dinheiro que ela precisa para criar sua
filha longe do terror de sua mãe. Mas depois, quando a mamãe chega no pedaço,
ela revela que quer ajudar especificamente o casal gay, o que acaba soando
muito mais como uma filha que quer desafiar e ter o prazer de contrariar sua
mãe. Entendo que a série precisa disso para formar os “laços” familiares entre
os estranhos, mas se o único motivo fosse o dinheiro a coisa seria mais
verossímil.
O conflito inicial ficará por conta de superar o gigantesco
preconceito da velha loira traumatizada com o fato de ter um avô gay. Frases de
efeito como “Family is Family, love is love” e “You can be whatever you want
be, no matter how many people tell you that you’re nothing” vão transbordar
nesta trajetória, enquanto os novos normais tentam convencê-la a ver o novo
mundo normal. Porém, não dá para ficar
cinco temporadas neste conflito. Em algum momento ela terá que superar de vez
seu atraso mental. E aí a pergunta é: o que a série fará daí por diante?
Quanto às atuações, sempre há a questão de se os atores que
fazem o casal gay estão confortáveis em seus papéis. Andre Rannells, que faz o afeminado Bryan Buckley, não está 100%
adaptado, mas está no nível satisfatório. Já Justin Bartha, que faz David Murray, parece muito desconfortável e
inseguro. Na cena do beijo deles, por exemplo, parece que ele deu um selinho
rápido para fugir o mais rápido que pudesse dali. Para alguém que aceita fazer
um papel desses numa série, este desconforto nem deveria passar pela cabeça.
Como que ele vai fazer se a série durar muito tempo?
Uma coisa que foi desnecessária foi a cena inicial, onde
Goldie flagra o namorado dormindo com outra. A intenção era que este fosse o
empurrão final para ela “mudar de vida”, se livrando da mãe diabólica que tem.
Mas só os discursos destruidores da progenitora já eram motivo suficiente para
ela pegar o carro e dirigir sem parar até o Polo Sul. A cena e toda a
existência do traíra poderiam ficar de fora sem fazer falta alguma. E a cena de
Nana com uma arma também.
The New Normal tem poucas chances de fazer algo diferente. Modern
Family pode não ser só sobre um casamento gay, mas já fez muito pelo tema e fez
com excelência. Além disso, o discurso sobre as diferenças serem normais é
bonitinho e comovente, contudo é velho e batido. A série pretende bater
bastante nesta tecla, e nós telespectadores estamos cansados dela. Se quiser
sobrevier, TNN terá que mostrar o lado humano ao invés do caricato, o que neste
caso também não será novo, mas talvez seja um caminho onde há mais chances de
fugir do óbvio.
Ryan Murphy criou a série e escreveu o piloto junto com Allison Adler (Chuck, Glee, No Ordinary
Family), sendo que a direção do episódio ficou a cargo de Murphy. Os dois
também são produtores juntamente com Dante
Di Loreto (Glee) e Chip Vucelich (Whithout
a Trace). The New Normal estreia oficialmente dia 11 de setembro, mas a NBC
liberou o primeiro episódio duas semanas antes.
P.S.: Georgia
king podia tentar menos ser meiga na pele de Goldie. Meiguice demais faz o
personagem ficar forçado e enjoativo.
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